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Fumar faz bem! (Para o meu humor) Desde que eu não esteja fumando…
Vocês me conhecem há pouco tempo (alguns, nem me conhecem)… Mas, já deu pra perceber que eu sou uma alma merecedora de uma sessão de descarrego na Gruta Milagreira. Com direito a prece violenta. Segundo o panfleto, a maioria dos meus problemas tem cura com “reza braba”: olho gordo, inveja, insônia, dor de cabeça, vontade de sumir, caminhos amarrados, depressão, problemas financeiros, sentimentais e vícios... Mas, infelizmente, estou ocupada toda terça feira do mês – às 8h, 15h e 19h – se deixar meus afazeres de lado, os problemas financeiros aumentam: melhor não. Me conformei em viver com os itens acima. Bem, meu principal vício vocês já conhecem. Mas, como não sou amadora, tenho outros – dentre os quais: o jogo. Se tem placar ou resultado serve. Envolvo-me com qualquer modalidade que não exija esforço físico da minha parte. Não sou contra suor e sacrifício, desde que não sejam meus: como boa atleta de sofá, assisto tudo quanto é esporte – dos jogos olimpicos ao campeonato chinês de palitinho. E participo, jogo, aposto, desafio, disputo, discuto e até brigo… Sou extremamente competitiva: até no tarô fico frustrada por não ganhar da cartomante… “Enforcado... o quê??? Revanche, revanche”. O jogo é vital para mim. Quando o resto do mundo está sem sentido e a bate a supracitada depressão, penso em me matar. Mas nunca posso levar a cabo meus planos de suicídio. Não sem antes saber o resultado da lotofácil, lotomania, lotogol, loteca, dupla-sena, mega-sena, loteria federal, campeonato brasileiro, copa juniores, e, não menos importante, do torneio internacional de ping pong. Não dá tempo. A agenda de jogos e esportes é capaz de manter um peão como eu vivo pra sempre. Taí o segredo da imortalidade. Recuso-me a morrer sem ver a próxima Copa do Mundo. Gosto de competir e concorrer, mas sempre fui muito honesta e me mantive longe do crime. Entretanto, dada minha recente marginalidade – fumante, pária da sociedade e ser inferior – decidi ingressar no submundo oculto das contravenções penais. Não tem tanto glamour quanto eu esperava, mas é, definitivamente, bem divertido. Nestas férias, somando meu novo status social à minha paixão pelo jogo, comecei a Jogar no Bicho… Sempre vi aquele mocinho bem-vestido, numa mesinha cativa, no cantinho do boteco. Tinha certeza que era um vagabundo: quem passa o dia inteiro no bar? O moço devia ter graves problemas com bebida. Fui preconceituosa – e, confesso, até mesmo, invejosa (não superei a mesinha cativa). Mas, voltando ao assunto: descobri podia entrar a qualquer hora do dia no boteco e fazer um joguinho. Desde que, claro, não estivesse fumando… Parecia tão simples “contraventar”! (…) Ledo engano. Pela primeira vez, senti falta dos neurônios que o cigarro matou. Entrar na USP para um mestrado é mais fácil do que compreender o jogo. Muitas letrinhas, animaizinhos e numerinhos. Mas, não me abalei, afinal, sou da geração internet e posso dominar o mundo. O Google esclareceria tudo: Certo? Errado. Uma carambada e meia de sites contam a história, explicam os bichos, dão resultados e abrem espaço para os palpites dos frequentadores (fregueses, na banca do bicho)… Mas a confusão só aumentou. Primeiro: aparentemente, o jogo do bicho é regido por sonhos. Tudo com muita base científica. Sonhou com traição é cobra, com obra: macaco, com hospede: carneiro, com inseto: é burro. Com melância: pavão, 9974, na cabeça... Respondam-me: quem raios sonha com uma melância? Sonhar com azeitona, pra mim, é caso de psiquiatra… mas, jogue na águia, por segurança. E importante: é preciso interpretar os sonho de maneira adequada. Porque se você sonhar com dois patos, um camelo, um gato e uma azeitona, jogar e não ganhar, a culpa é somente sua que não leu direito a mensagem. Afinal, não existe a possibilidade de que os sonhos errem. Os sonhos são infalíveis, os humanos falham. Continuei. O resultado eu entendi… se eu ganhei alguma coisa, é outra história. Mas, depois de horas de extensiva pesquisa, a intelectual aqui (eu) achou que havia compreendido. Se jogar na milhar, com quatro números, fica difícil ganhar. A coisa é bem mais complexa. Para aumentar suas chances, é importante combinar, cercar, inverter, jogar no grupo, na série, na linha, nos múltiplos, na centena, dezena, no duque de dezena e no terno invertida. TDZ, VMC, DDZ, MC, DDC… AMXYZ. Socorro, devolvam minha Caminho Suave que não aprendi essas sílabas. Mas, na verdade é super fácil: é só pegar a milhar, seca, inverter, cercar pelos doze, com sete dezenas e cinco centenas, pôr o burro de quatro, pegar o camêlo e enfiar no galo, do primeiro ao quinto molhado e torcer pra dar vaca na kenga. Simples, não? Agora imagina essa história reproduzida em hierogliflos e numerais arábicos num pedacinho minúsculo de papel rosa... Vá pra casa, confie cegamente no bicheiro e boa sorte: em três edições diárias…
Os PSs tradicionais (para evitar confrontos e discussões): 1. A historinha é ficcional, portanto, fiquem tranquilos: não quero me matar, não sofro com olho gordo, não tenho problemas financeiros graves e não estou jogando a casa, o carro e o gato em uma mesa de poker. Não venham tentar me salvar da bancarrota. 2. Não estou fazendo apologia a nada: nem ao Jogo do Bicho, nem a sessão de descarrego. Apenas reproduzi informações que estão na internet. 3. E não se preocupem: se for pega pela polícia, já tenho a defesa preparada: Insanidade: “Seu guarda, sonhei com a melância e as vozes ordenaram – 9974”. 4. E por fim, mas não menos importante: às cartomantes, aos jogadores e aos sonhadores, todo meu respeito. Foi uma brincadeira. Não sou eu que vou dizer o que é certo e como funciona o grande plano. 5. Ah, e estou aceitando palpites: pra qualquer jogo ou esporte.
Abraços que vou ver playoff da NFL.
Escrito por cigarroaceso às 14h41 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] SOS HAITI Faz tempo que não posto nada! Ando ocupadinha, mas, em breve, eu volto.
Essa aparição momentânea é meramente pra divulgar uma coisinha.
CONTA SOS HAITI Nome: Embaixada da República do Haiti
Amigos, fumantes e não fumantes... quem puder colaborar com qualquer quantia! Hoje é dia de tentar salvar o próximo.
Vale até deixar de fumar um maço a menos pra doar os R$ 4,00
Escrito por cigarroaceso às 11h50 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] MEDO
Toda vez que acendo um cigarro eu sinto medo, pânico! Não é medo de perder os dentes, a ereção, o bebê, o bom senso ou o próximo ônibus. Não temo o câncer de pulmão, de brônquios, traquéia, laringe, faringe, nariz e boca. Não tenho medo de espinguela caída ou de unha encravada. Mas tremo só de pensar em ouvir a voz daquele ser humano que se materializa, pipoca, brota ao meu lado e pergunta: “Por que você não larga esse cigarro?” E tenho uma fobia quase patológica da frase que acompanha: “Isso vai te matar, menina!” Quando escuto qualquer variação dessas sentenças minha alma fica negra e transforma toda a ansiedade e terror que eu sentia em uma metralhadora. Disparo contra o alvo (o autor da pergunta), toda a espécie de impropérios e ofensas. Estouro numa defesa fervorosa e apaixonada do meu vício e do meu direito de fazer o que eu bem entender com meu trato respiratório (e com todos os meus outros tratos). Acho que não vou morrer por fumar. Vou morrer do coração ou de um ataque apoplético causado por esse estresse que, ultimamente, tem acompanhado o ato de acender um cigarro em público. O que mais me choca é que não é necessário qualquer grau de intimidade. Quem me conhece não me questiona. São exatamente os desconhecidos e colegas distantes que se engajam na minha causa. Qualquer cidadão não ou ex-fumante se acha no direito de se meter, opinar, avisar, aconselhar e julgar o dono do cigarro. O ministério da saúde deveria advertir: “Fumar atrai intrometidos e inconvenientes” ou “O fumo tira seu direito de não falar com estranhos”. Algumas pessoas condenam o fato de fumantes brigarem tanto para defender seu vício, porque todo vício é injustificável. Eu não quero justificar, explicar ou convencer as pessoas de que fumar é gostoso. Só quero ter dez minutos de paz com meu companheiro politicamente incorreto. Mas as pessoas só estão preocupadas com meu bem estar e saúde, certo? Como sou ingrata! Peço sinceras desculpas por cada vez que não percebi o altruísmo alheio. Aliás, eu nem sabia que a sociedade tinha tantos membros bonzinhos e preocupados com o bem da humanidade. Por favor, não desperdice seu desejo de ajudar o próximo comigo. Eu não quero ser salva, não estou pedindo e nem precisando de ajuda. Fiquem tranqüilos que eu me viro. E como sou contra o desperdício de sentimentos e atitudes tão nobres: estou oficialmente doando seus minutos de solidariedade cristã para os que de fato precisam. Se preocupe com a saúde dos velhinhos que criam escaras pelo corpo por não ter quem os vire na cama, com as mães do Piauí que misturam terra na farinha pra render mais, com os cidadãos de São Paulo que comem sopa de papelão, com as crianças do nosso estado que morrem de piolho (sim, imagine a infestação pra matar). Ajude os pequenos que com feridas que vão até o osso de tanto coçar por falta de banho. Pare, olhe, escute! Preste atenção e verá a romaria de infelizes que espera e por sua vontade de ajudar. Em cada farol, em cada esquina. O mundo tem muito espaço para o seu engajamento. Existe gente clamando por pessoas de bom coração, pelos seus conselhos, pela sua solidariedade. É claro que para ajudar quem realmente precisa é necessário sair do conforto do barzinho da Vila Madalena, das ruas da classe média, dos restaurantes e das baladas. Muitas vezes é preciso falar com pessoas mal-vestidas, mal-educadas e revoltadas (com razão). E o cheiro dos mendigos e doentes pode ser bem pior do que o da minha fumaça. Mas se você se preocupa com a saúde da população, esses obstáculos não vão impedir que você faça o bem maior. Agora, se você não tem coragem ou vontade de lutar por quem implora pela sua bondade, não ouse abrir a boca para dizer que você só quer meu bem. Eu não sou seu caminho para o céu. Se você não está disposto a salvar que precisa de salvação, você é simplesmente um intrometido que quer encher os pacovas e não tem nada de bonzinho: não se iluda e não finja! E saiba que suposta preocupação com o bem da minha saúde não esconde seus defeitos mais graves, a começar pela inconveniência e a hipocrisia. É de você que eu tenho medo. E fique calmo, para seus defeitos não vai ter sermão: não tenho tempo pra ajudar você a melhorar. Existem pessoas e causas que precisam e merecem mais de mim.
PS: Eu não vou ficar explicando o que eu faço ou deixo de fazer pelo bem do mundo. E não precisa me explicar o que você faz. Se você não é hipócrita e quer ajudar de verdade, tenho profundo respeito por você. Escrito por cigarroaceso às 15h39 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ]
Dona do Blog 3ª Pedrinha Orbitando o Sol Via Láctea, Universo A Deus(a) Pai(Mãe) Todo(a) Poderoso(a) Céu
Terra, 03 de Setembro de 2009
Assunto/Referência: Solicitação de Documentos.
Ilmo(a)/Exmo(a)/Revmo(a)/Sr(a):
Venho por meio deste requerer a segunda via da Convenção de Condomínio do Planeta Terra, bem como a Ata da Reunião Pré-Encarnação da qual meus companheiros de espécie participaram antes de ingressar no supracitado planeta. Ainda, se possível, gostaria de receber cópia do Código de Conduta dos Seres Humanos e do Manual de Ética em Sobrevivência.
Certa de sua compreensão, aguardo deferimento do pedido.
Respeitosamente.
Dona do Blog.
Parece piada, mas não é. Começo a acreditar que existe algum regulamento escrito que não recebi ao entrar no planeta. Muitas pessoas sabem coisas que eu não sei. E com um grau assustador de certeza. Sempre desconfiei: antes de encarnar, há uma reunião com o Todo Poderoso, ou um de seus subalternos, na qual são explicadas todas as regras do jogo tintim por tintim. E no final, todos recebem uma pastinha com os documentos, incluindo o certificado de participação. Eu não participei da reunião por que estava lá fora fumando um cigarro. Mesmo assim, depois de conviver com os companheiros de espécie que têm todos os manuais (provavelmente, guardados em caixinhas poeirentas em cima do guarda roupa), entendi algumas regras básicas. Vou repassá-las para os companheiros do blog que também estavam fumando lá fora durante essa reunião (sintam-se a vontade para complementar). 1. Não descumpra os 10 mandamentos, não cometa os sete pecados capitais e não faça nada que possa resultar em sua morte. Nada ilegal, imoral ou que engorde. Aliás, por segurança, não faça nada legal e divertido também. Trabalhe, estude, obedeça às leis, normas e regras (incluindo as de etiqueta), respeite os mais velhos e, principalmente, os mais ricos e poderosos. Não reclame. 2. Contribua ativamente “com a sua parte para o nosso belo quadro social” (Raul Seixas). E, jamais, sob qualquer hipótese, fuja do padrão. É de suma importância ser igual aos outros. Não é difícil ser normal: os jornais são escritos por pessoas que participaram da reunião primordial com Deus. Eles te informam diariamente como se adequar. Mas em resumo: não fume, não beba, seja bonito, forme-se em alguma coisa (educação não importa, o que vale é “qualificação”), mantenha-se magro e sem celulite. 3. Outra coisa importantíssima: aconselhar e dar palpite na vida alheia é uma coisa de imensurável valor. Quando você se mete na vida do outro para o bem dele (seja lá qual for sua concepção de bem), pelo que entendi, está gastando a moeda corrente do outro plano. Inclusive, já troquei os 10% do garçom por um conselho: “Já que está tão provado que minha fumaça faz mal, peçam adicional de insalubridade, periculosidade e aposentadoria precoce. Corram atrás dos seus direitos.” Fácil, né?
O TEXTO ACIMA É IRÔNICO (Não custa avisar!) AOS DISCORDANTES Caros não-fumantes-palpiteiros-felizes-com-a-nova-lei, sem ironia, a verdade é: não sei o que é certo ou errado. E você também não tem como saber. Mas, por MEUS princípios, levanto todos os dias da cama tentando ser exatamente o oposto do que você é. Acredito que você faça o mesmo. Eu não imponho minhas crenças e minha personalidade “vibrante” aos outros, portanto não ache que você é o único modelo de comportamento e conforme-se: nem todos querem ser a sua imagem e semelhança. Não acho que sou melhor, mas não tente me definir como pior só porque eu fumo. Seu repúdio a minha opinião e atitude mostra que estou no “meu” caminho certo. Quando pessoas como você concordarem comigo, começarei a rever meus conceitos. Escrito por cigarroaceso às 21h31 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ignorava e era feliz! Domingo à noite, musiquinha do fantástico... Estou com minha cerveja, meu cigarro, meu gato e o futebol na TV. Daqui a pouco voltarei para o meu tricô (e tenho 24 anos, apenas). Não saí esse fim de semana e estou sozinha. Não vou mais a bares porque não posso fumar. Não posso beber uma cerveja (com meu peso, nem um copo) e voltar dirigindo pra casa. Não posso fazer barulho, cantar, bater papo nas calçadas. Lá fora, eu não posso... Está muito difícil conviver com a sociedade. Mas, contradizendo tudo o que me ensinaram e o e esperam de mim nessa situação, não me sinto miserável, deprimida, solitária ou abandonada. Estou leve e feliz. Esta manhã, eu peguei meu café, meu cigarro e fui para o sol, com meu jornal (daqueles de papel, antiquados, desatualizados e sujos). E na manchete das três primeiras matérias achei expressões como “veto”, “proibição” e “aumenta o risco de”. Tudo pelo meu bem e pelo bem do conjunto da obra de Deus. O mundo aí fora me pareceu chato e perigoso. A Califórnia vai afundar depois de um grande terremoto. Nápoles será soterrada quando o Vesúvio quiser brincar de Pompéia. A África vai ser devastada por uma variedade estranha de vírus ou por leões famintos que invadirão as cidades, graças à destruição de seu ambiente natural. Não que eu vá para a qualquer lugar longínquo: alguém já viu a poluição que cria um avião a cada vôo? Um asteróide, o aquecimento global, uma nova gripe, uma supernova, um buraco negro construído em laboratório... de acordo com meu jornal, o mundo corre sérios riscos, o tempo todo... Cogitei viver uma vida saudável: sem cigarro, sem bebida, com uma alimentação decente e no calor, porque o frio triplica o risco de enfartes. Mas segundo meu jornal, carboidratos e gorduras vão entupir minhas artérias. Presunto, salsichas e salames aumentam o risco de câncer no intestino. Peixes estão contaminados com mercúrio e os vegetais cheios de agrotóxicos nefastos. Sobraram os ovos! Mas ah... os ovos são muito, muito confusos. Nunca entendi os vários tipos de colesterol, em mim e no ovo. Só sei que um deles, ou todos, causa demência. Está no jornal. Resta viver de luz, de sol (tomando, regularmente pílulas de cálcio, para evitar osteoporose)... Mas e se eu desenvolver um terrível câncer de pele? Estou ficando nervosa e com medo. E tenho que me acalmar, porque segundo meu jornal, estresse aumenta o risco de uma porção de coisas horríveis. Quase tomei um copo de água com açúcar. Graças a Deus, me contive. Açúcar dá cáries. Melhor assim, não poderia escolher entre um poluidor copo descartável ou um pouco do malvado detergente que eu usaria pra lavar o de vidro. Não sei mais como tomar água. Vou largar o jornal. Estou ficando com dor de cabeça! Dormiria um pouco pra passar, mas não sei se posso. Quantas horas devo dormir para ser saudável? Se passar do limite eu morro do quê? Faltou isso no meu jornal. Um chá quente? Dá câncer no esôfago. Um leitinho? Aumenta o risco de Parkinson em homens e eu comi uma manga. Melhor não arriscar. Um bom banho! A manga pode dar congestão? Tomaria um analgésico, mas li que seria irresponsável, sem orientação médica. E pode ser contra-indicado em caso de suspeita de Dengue. Aliás, deixa eu ir, porque tenho que tirar a água da chuva das plantinhas para não dar mosquito. PS: O blog é, claramente, um espaço para fumantes. Acima de tudo é um espaço para mim, mas escolhi escancarar minhas opiniões e estou sujeita a companhia. Recebi a visita de não-fumantes e estes estão tendo alguma dificuldade em compreender o texto. Mas caros não-fumantes, não tenham vergonha de suas limitações: perguntem e participem. Já dei aula para crianças e tenho um pouco de experiência em ser didática e paciente. Tentarei ser inclusiva, escrevendo sempre de maneira simples e acrescentando um glossário quando as palavras forem grandes. Quanto ao texto deste post, utilizei um recurso chamado ironia. Não se preocupem comigo, não estou desesperada e a ponto de cometer suicídio imediato. Esse texto não tem a intenção de ser informativo, embora todas as informações tenham respaldo na mídia. (Favor não usar como referência para nada - não custa, avisar tem louco que se embasa em cada coisa) É apenas mais um textinho irônico para entreter os amigos. Obrigada pela atenção e pela visita.
Escrito por cigarroaceso às 21h54 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ]
Vivo por aí expressando minha opinião em todos os espaços virtuais para fumantes que encontro (comunidades de Orkut, blogs...). Invariavelmente, me deparo com não-fumantes, que vão a esses espaços para fazer sabe-se lá o quê. E depois de muitas postagens, concluo que existem pontos não esclarecidos que dificultam muito qualquer troca de idéias:
1. Fumar não é como tomar um suco. Não é escolha do momento. A opção eu fiz quando comecei. Hoje, sou viciada e não consigo passar horas sem fumar. 2. Bebo cerveja por prazer, não pelo valor nutricional. Um copo de cerveja sem um cigarro não me dá prazer (fico agoniada e angustiada). Portanto, é inútil dizer ainda posso ir ao bar ou que a cerveja e os amigos continuam lá. Como não gosto de sentir agonia e angústia, a lei destruiu o lazer. Se para entrar no motel fosse obrigatório levar a mãe, ficaria em casa. Mesmo que a cama, a banheira, o parceiro e o clitóris ainda estivessem lá, acabaria o prazer! (Não-fumante, casto ou ambos: não conteste. Não são coisas que podem ser imaginadas). 3. Fumo passivo não mata e não prejudica os saudáveis. Não há estudo que comprove que a exposição esporádica ao cigarro cause problemas. Mesmo assim, você tem todo o direito de não querer arriscar. Inclusive, há pessoas que usam papel alumínio na cabeça para que evitar que ETs leiam seus pensamentos. Por mais absurdo que isso pareça, o caso é o mesmo: não há provas – nem que sim, nem que não. Todo mundo pode acreditar no que quiser e se precaver, mas não pode mudar o mundo com base em suas neuroses. 4. Asmáticos, rinitentos, bronquitentos e afins são doentes, como, por exemplo, quem tem imunodeficiência (e o resto do mundo não se isola para não prejudicá-los). Doentes tomam as precauções adequadas e evitam locais e comportamentos de risco, mas, mesmo sendo uma minoria, não podem ser discriminados e segregados com base na doença. Como tabagista – segundo a OMS, doente - e cidadã de uma sociedade teoricamente inclusiva, acredito que deve haver espaços para todos: ambientes livres de fumaça os com problemas respiratórios e ambientes para os afetados pelo tabagismo! Os perfeitos escolhem aonde ir. 5. Tenho que respeitar quem não gosta do meu cigarro, na mesma proporção que minha vizinha deve respeitar o fato de que não gosto de música sertaneja. Não posso proibi-la de ouvir as músicas. Não posso fechar todos os estabelecimentos que tocam tal gênero. Mas, posso não visitá-la e não ir ao Country Clube do Cowboy Montado no Tronco! 6. Dizem que fumantes não tem educação. Alguns não têm mesmo, outros sim. Como em todo o resto da população. E não fumar, não faz te torna automaticamente educado. Mamãe ensinou que não devo esfregar os defeitos das pessoas na cara delas. É rude, desagradável. Se eu estou fedida e meu cigarro é imundo, pense mal de mim e fique quieto. Pode até me criticar pelas costas. A partir do momento que abriu a boca, saiba que perdeu a polidez. Ninguém olha pra você e diz: “Nossa, como você é feio/gordo/burro/fedido/mal-vestido...”. E se alguém te falar isso: quanta grosseria! Antes de me cobrar educação pergunte-se: estou sendo educado com ela? Gente: assinem à http://www.petitiononline.com/antifumo/petition.html
Escrito por cigarroaceso às 23h10 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ]
Boa noite a todos. Estou aqui para meu primeiro post anti-anti-tabagismo, fazendo jus ao nome do blog. (Não sou uma pessoa de um assunto só. Estou fazendo uma monografia – pra pós – sobre essa campanha maluca de vamos jogar “fumantes que comem criancinhas” no abismo). Estive visitando outro blog que discutia a constitucionalidade da lei anti-fumo e lendo os comentários e me deleitando com as opiniões de quem não fuma. Sei que não tenho o menor embasamento para o que vou questionar: fumar estimula a inteligência? Juro, alguns poucos e parcos não-fumantes têm um ou outro argumento descente. A maior parte escreve apenas uma frase, que daria cadeia, se substituíssemos a palavra “fumante” por negro (Explicando pra quem não fuma: racismo é crime, preconceito, nas mesmas bases, não). Um cidadão pós-moderno (de novo – caros não-fumantes, estamos na era pós-moderna) dizia que “o inferno está cheio... de fumantes”. Chegamos ao ponto crucial da discussão. Então, quer dizer que até no mundo espiritual, post mortem, temos um espaço??? Eu não ligo se o atendimento é péssimo, o cheiro de enxofre é forte e alguém está cutucando minha bunda com um espeto. Posso fumar lá? Então, eu topo. Parece que não entenderam a parte básica da reivindicação dos tabagistas. A lei anti-fumo do tio Serra não deixa um espaço para nós. Não queremos, eu pelo menos não quero, enfumaçar o SEU ESPAÇO. Quero um quadradinho para eu encher de fumaça, com meus amigos. E que não fuma não será obrigado a entrar, aliás, diria que não está, sequer, convidado. Nem vou entrar na discussão sobre o quanto informações científicas e mal-interpretadas e falsas podem levar ao preconceito infundado. Deixarei isso para meu trabalhinho. Discuto apenas comentários sobre o quanto eu poluo e prejudico (mais do que carros, talvez mais do que Chernobyl...). Reitero que não quero ir fumar na sua casa, no seu bar, no seu restaurante. Quero encher de fumaça minha casa, meu boteco, minha “lanchonete”... Só isso. Ainda, para aqueles que não têm a mesma suposta estimulação cerebral que a nicotina fornece, explico: Eu sei quais são os malefícios do cigarro, sei que vou morrer de um câncer terrível, sofrendo, sem as pernas, de pau mole e desdentada. Ainda assim, do alto de meu livre arbítrio, escolhi fumar. No meu quadradinho... Será que alguém consegue se conformar com isso? Seja tolerante. Eu perdôo tanta coisa em você, caro não fumante.
Escrito por cigarroaceso às 00h34 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Boa Noite. Aliás, noite... Já que esse será um espaço para reclamar e ser desagradável, na maioria das vezes, resolvi começar me justificando um pouquinho. A quem possa interessar, preste atenção, porque não tenho muita paciência para ficar repetindo. Ando revoltada com diversas coisas. Tudo bem que eu não sou uma pessoa conhecida pelo bom-humor, mas tenho a impressão de que o mundo está de má vontade comigo. (Sim, egocentrismo extremo: o universo conspira para ME estressar). Não é possível tanta coincidência. Todo dia eu levanto e penso: "Hoje, serei uma pessoa boa!" É muito bonito e bem fundamentado esse negócio de evoluir e tentar ser uma pessoa melhor. Me convenceram. Então, eu cruzo com uma notícia, um cidadão pós-moderno no trânsito, o síndico, a telefônica, uma decisão do STJ, ou algum anti-tabagita extremista que acaba com meu dia e com a minha disposição. E, invariavelmente, a noite concluo que: "Vou ser boazinha, o caral**. Ninguém é legal comigo mesmo". A maior parte das pessoas adora exigir um comportamento "x" dos outros, em prol de uma sociedade, mas conheço realmente poucas pessoas (tendendo ao zero) dispostas a algum sacrifício pelo bem comum. E essa história de que cada um deve fazer a sua parte por um mundo melhor é um ótimo jeito de jogar com a culpa alheia para alguém faça o que você não faz. Sei que minha opinião não vale muita coisa. Nem a sua, aliás. Essa história de que não podemos ficar quietos e engolir as coisas erradas é balela pra nos distrair. Assim, a gente perde um tempão pensando em como se mobilizar (o que, em geral, não acontece) e fica feliz, acreditando que está fazendo alguma diferença. De fato, não fazemos nenhuma. Eu pelo menos, não faço. Existe uma imensa lista de coisas que estão erradas, na minha humilde opinião. E mesmo eu tendo excelentes argumentos, ninguém que tenha algum poder vai ouvir. Só estou aqui, porque acho bom para meu sistema cardiovascular ter um espaço para desabafar. Uma postura completamente egoísta da minha parte. Por sinal, decidi viver minha vida assim: em prol de "mim mesma" e TENTAR não fazer o mal. E se, por uma falha do destino, eu machucar, ofender ou prejudicar alguém no processo: Antecipadamente, me desculpo. Lílian. PS: Se não quiser perdoar, problema seu. Não vou perder o sono por sua causa: favor, não perder pela minha. Escrito por cigarroaceso às 21h47 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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